Initial Commit

Uma das histórias do mundo da computação que, pra mim, sempre foi uma das mais interessantes é a dos primeiro passos do Git. Acho que quase todos os programadores devem conhecer, mas, caso alguém que esteja lendo não saiba ao certo ao que me refiro, a resumo a seguir. O Git, uma das ferramentas de versionamento de código mais robustas e úteis no mundo da programação foi inventada por Linus Torvald, um dos maiores ídolos dos programadores, nerds e entusiastas de computadores que fingem saber como criar um diretório no Linux (Sistema Operacional também inventado pela divindade mencionada anteriormente), lá em 2005, curiosamente ano de nascimento de quem vos fala. O Git foi inventado a partir de uma necessidade de seu criador, versionar código de maneira inteligente e sem as complicações e burrices de softwares que sonharam em resolver o mesmo problema, SVN e CVS, programas que o próprio Linus já desprezou publicamente diversas vezes. Pois bem, a parte interessante da história é que, justamente, por ser uma ferramenta focada em manejar versões de arquivos, o primeiro alvo dessa criação maravilhosa foi, numa espécie de metalinguagem quase poética, o próprio Git, e mais que isso, como o repositório do Git está hospedado publicamente no GitHub, qualquer um pode visualizar o seu histórico de commits inteiro, incluindo a primeira commit do Linus lá em Abril de 2005, mais curiosamente ainda, o mês em que nasci, a famosa "Initial revision of "git", the information manager from hell". O que isso significa? O Git demorou menos de 1 dia para começar a rastrear a si mesmo, um cachorro perseguindo o próprio rabo, há 20 anos.

Perfeito, agora que você já admitiu que essa informação é legal pra caramba, vem a pergunta: "Por que ele está escrevendo sobre isso no primeiro 'post' do blog recém criado?". Primeiro, nem dá pra dizer que o blog foi criado ainda, eu estou literalmente escrevendo essas linhas no HTML mais porco já feito na face da terra diretamente num index.html que logo mais substituirá a página inicial de um Apache em um servidor que não tem nem DNS configurado ainda. Vale citar: o domínio já foi comprado, pelo menos. De qualquer maneira, meu objetivo com a anedota acima era apenas comparar o nascimento do meu blog, com todas as ressalvas e diferenças abissais em mente, com o nascimento do Git, que, de maneira bem menos poética, mas igualmente metalinguística, nasce hoje, 1 hora e 2 minutos da manhã do dia 21 de Janeiro de 2026, e já começa falando sobre si mesmo, correndo atrás da sua cauda, singelo e no seu tempo, mas começa.

Agora, acompanhando melhor as normas sociais que regem como se deve dar à luz a um blog, explico o meu objetivo com essa casinha de pau a pique em formato de website. Pra ser sincero, não sei. Gosto muito de escrever, mas escrever somente do mesmo jeito que penso, sem me cobrar muito, talvez por isso nunca passou pela minha cabeça seguir carreira literária ou procurar publicações, de fato, não tenho vocação pra isso, mas guardo profunda admiração a quem possui esse dom. Assim, sempre me detive a meus cadernos, esguios, com letras, linhas e ideias confusas, mas que, magistralmente, refletem o que sinto. Decidi, por ócio e falta de compaixão, compartilhar, em alguma medida, algumas dessas pautas esquisitas com a Larga Rede Mundial, mas prometo tentar manter os caracteres daqui limitados a descrever apenas a face da minha vida minimamente relacionada à computação, estou certo de que não seria de bom tom compartilhar relacionamentos que deram errado e irritações com o Flamengo em um ambiente tão sério como esse.